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Apoteose

Hoje, 25 de novembro de 2011, Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra a Mulher, postamos aqui um poético relato de nascimento de um bebê, que se revela verdadeira declaração de amor à força e à coragem femininas.

O texto, muito além de registrar o amor de um homem para uma mulher, de um pai para um filho, e de um filho para sua mãe,  mostra o amor de um homem (modesto) por sua vida (grandiosa) e por sua condição (maravilhosa) humana.

Guilherme Shibata de Souza (autor) é professor de literatura, advogado, compositor, viajante, e pai do Benjamim.

Deleitem-se…

Ô abre alas que eu quero passar…

“Navegar é preciso, viver não é preciso” Fernando Pessoa, inspirado no ditado de navegadores portugueses.

Quando recebi de sua mãe um envelope, com timbre de um laboratório, já vivíamos a expectativa da gravidez, e precisei de poucos segundos, confuso entre os +10 -30, para saber que teria um filho. E este foi o primeiro dia em que pensei no seu nascimento.

Durante 40 semanas pensei em você.

Chegou fevereiro e com ele uma bateria de escola de samba no estômago e a expectativa apoteótica da felicidade.

Como um bebê da marca “humano” é esperado entre 38 a 40 semanas, a nossa médica sentenciou:

– Se esse garotinho não nascer até amanhã teremos que fazer o parto induzido.

Começava a folia !!!, e todas as escolas de samba do Rio de Janeiro entraram sopetão na Av. Candido de Abreu!

Parênteses um:

Na era da ciência médica, da TV de led, do playstation 3 (se é que isso vai existir quando você puder ler este relato) sua mãe queria muito que seu parto fosse de forma natural. Sempre apoiei e confiei nas decisões de sua mãe (ela sempre escolheu pratos mais gostosos que os meus nos restaurantes), era o momento de vocês dois e ela saberia o que fazer.

Com este cenário, fomos atrás de uma médica com experiência neste assunto (a que deu a sentença acima citada), a Dra Mariane, e requisitamos a ajuda de uma doula, a querida Juraci. Quero que saiba que estas duas mulheres têm muito mérito pelo sucesso do nosso bloco.

Fim do parênteses.

Assim, dia 18/02/2010, depois da consulta, sua mãe ficou tristonha, pois queria que você viesse ao mundo de forma tranqüila, sem que tivéssemos que ajudá-lo. Tentei acalmá-la (você verá que não é fácil), dizendo que o importante era que você nascesse com segurança e saúde. Não adiantou muito. E então fomos a um shopping center fazer compras (você verá que isso funciona) para acalmar a situação.

11:00 horas da noite, depois de um passeio pela livraria do shopping, algumas dores!

Dormimos um pouco.

00:00 horas, recebo um beijo e felicitações pelo meu aniversário.

03:00 horas, são contrações mesmo! Os carros alegóricos começam a se perfilar.

04:00 horas, telefonei para a doula, que nos acalmou, era o começo das contrações, ela iria colocar a fantasia e em algumas hora estaria com a gente.

Parênteses 2:

Você deve imaginar como estávamos felizes com as contrações, sua mãe a todo tempo te chamava, dizia seu nome, eu achava aquilo lindo e fiquei bem feliz por você decidir atender a sua mãe e decidir sair de abre alas.

Fim do parênteses.

08:00 horas, a Juraci já estava com a gente, e fomos até a maternidade para os primeiros exames.

Sua mãe estava em trabalho de parto e fomos mandados para o quarto.

As horas passaram extremamente rápidas, eu sempre buscando ajudar sua mãe e tentando me ocupar com as coisas práticas do parto (comprar água, comida, assinar papéis, reclamar de algo), e claro abraçar muito sua mãe, chorar muito com ela, e dar todo o meu carinho naquele momento em que é tudo o que a gente precisa.

11:30 horas, a Dra. Mariane chega no quarto, examina sua mãe e sentencia:

– Está tudo indo maravilhosamente bem, 5 de dilatação, precisamos de 10.

Bem, aqui é que o bloco começa realmente a empolgar, é dado o início do desfile, que ao contrário do burocrático carnaval da Sapucaí, não tem hora limite para atravessar a linha final.

Agora meu relato já fica sem a constatação da hora, estava sem relógio, e mesmo que estivesse não saberia guardá-las.

As dores começam a ficar cada vez mais fortes (as contrações boas, que fazem bebês nascer são as fortes, então não podíamos reclamar), andamos pelos corredores da maternidade, sua mãe fez exercícios para abrir a bacia, tomou banho de água quente para aliviar as dores, recebeu massagem, abraços, beijos, estávamos já muito envolvidos.

 Comecei a ver no rosto de sua mãe que o cansaço e as dores a levavam para um mundo distante. Neste momento fiquei muito emocionado, desesperado e feliz. Enfim, não sei bem ao certo como fiquei, mas este sentimento tresloucado foi me acompanhando até o fim.

O nascimento de um filho é uma coisa descomunal.

Por mais preparado e avisado que eu estivesse para ficar no quarto acompanhando e ajudando a sua mãe, foi naquele momento que eu quase desisti. Olhar a expressão dela de exaustão, de dor, parecendo que iria morrer, foi de me encher de medo, de pavor. Somando-se a isto, saber que você estava dentro dela e que você também estava envolto naquele turbilhão é de botar qualquer pai na lona.

Mas eu respirei fundo, saí um pouco do quarto, e não demorei a voltar, pois sabia que aquele momento era único, que você e sua mãe precisavam de mim.

Nossa existência talvez seja marcada por muito poucas emoções realmente envolventes (quando você vivenciá-las vai saber quando estiver frente à elas). O nascimento é um milagre (não um milagre religioso, mas um acontecimento que por seu tamanho nos mostra o quanto somos pequenos perto da maravilha, do extraordinário e da grandiosidade da vida). Na nossa pobre condição de seres humanos estamos relegados a um plano em que os milagres são escassos. Não nascemos de um corte da coxa de Zeus, não fomos trazidos por cegonhas nem silenciosamente abrimos como a flor. Somos filhos da dor.

O que eu presenciei no quarto 212 naquele dia 19.02.2010, quando completava 30 anos, foi um milagre.

Não foi fácil para mim ajudar sua mãe, mas isto é insignificante perto do que sua mãe fez, você deve todos os dias de vida a ela, como eu devo à minha mãe.

Bem, vamos ao milagre.

A Dra. Mariane, sempre muito calma, examina sua mãe e sentencia:

– 9 de dilatação.

Aqui sua mãe já está completamente em transe, eu tentando fazer uma cara de confiança e olhando para a expressão nos rostos da médica e da doula, o que me acalmava de certa forma, pois via que aquilo por mais maluco que fosse estava dentro do roteiro. Lembro até que a Dra. Mariane, solidária à minha aflição, disse que estava tudo caminhando bem, que era aquilo mesmo, que minha avó, ela e a sua mãe e mais quem quisesse ter filhos teria que vivenciar aquele momento.

Eu nunca tinha visto sua mãe com tanta força, eu nunca tinha visto ninguém com tanta força. Mas era de cortar o coração e ao mesmo tempo um sentimento de inveja por sua mãe ter tanto amor por você e coragem.

Enfim, o bloco no auge de seu desfile, bateria no recuo, o surdão ao fundo e os repiques vibrando, a platéia toda exultante na sala de espera. E ali no chão do quarto, no nosso teatro, do nosso jeitinho, teríamos no colo o filho que tanto esperávamos.

A Dra. Sentenciou:

– Guilherme, sente-se encostado na parede e segure a Ana. Eu vou pegar os instrumentos (tesouras, toalhas etc).

E lá fui eu, sentei numa bola de pilates (aquelas grandes para fazer exercícios), sua mãe sentou na minha frente num banquinho próprio para parto. Ela deitou as costas no meu colo e entrelaçamos as mãos. Os gritos lancinantes de sua mãe ecoavam por toda maternidade. Eu tentava dar toda a minha força para ela, passar toda a minha energia. Olhava para o semblante da Dra. Mariane e via que o momento era tenso. Não sei ao certo quantas contrações sua mãe teve naquele momento em que passamos agachados ali, acho que umas 6 (das fortes, que fazem os bebês nascerem).

E nada do Benjamim nascer, e sua mãe gritava por você e eu mais do que alucinado olhava para todos os cantos, via expressões de tensão, de delírio, de ternura, e fixava a vista no teto branco pedindo a todas as forças ocultas e não ocultas que tirassem você dali e que tudo acabasse como a gente sonhava.

A Dra sentenciou:

– Força Ana, se ele não sair agora teremos que ir pra sala de cirurgia e fazer a cesária. Vamos Benjamim!

 Bem, sem problemas, cesárias servem para isto, mas obviamente que fiquei com aquela pontinha de frustração, principalmente por sua mãe, que em sua simples condição de ser humano lutou tanto para realizar o seu milagre.

Mas como num jogo que se vira aos 43 min do segundo tempo, a Dra. sentenciou, como um Deus ex machina:

– Ana faça toda a força que puder e não pare de fazer força.

Meu filho, e foi neste momento que, depois de 12 horas e 41 minutos, você, às 15:45 (segundo o relógio da Dra.) rompeu na passarela do samba.

“Oi abre-alas que eu quero passar… oi abre-alas que eu quero passar…”

Colocaram você nos braços de sua mãe que de tão cansada não agüentava os seus 2,815 kg, eu estava abraçado a vocês segurando por baixo dos braços de sua mãe a minha família.

Foi ali que nossa família começou, passando por aquelas 12 horas intermináveis de desfile, entramos por um lado da avenida juntos, e saímos mais unidos do que nunca, pois foi nesta experiência que conheci como sua mãe é maravilhosa, forte, corajosa, e acima de tudo humilde para aceitar toda a nossa humanidade e passar por esta vivência extraordinária que é ter um filho, realizar a vida, impulsionar o absurdo do mundo.

Foi ali que eu chorando emocionado descobri orgulhoso que você é um herói, que todos somos heróis ao nascer. E pensei em sua avó e em como ela deve ter se emocionado comigo no colo, como para ela deve ter sido o meu nascimento um acontecimento enorme. E imaginei seu avô sorrindo comigo no colo, e na mesma data 30 anos depois, sorrindo com você no colo.

Nunca terei como agradecer sua mãe por esta experiência. Guardarei sempre com cuidado o que dizem os poetas quando escrevem que o que interessa não é o começo ou o fim da travessia, o que vale é a viagem que fazemos ao navegar o rio. (mal citado aqui mas ok. Leia melhor nos autores portugueses que são peritos em atravessar oceanos).

É claro que queríamos atravessar o enorme rio e ter você a salvo. Por isso estávamos bem auxiliados por profissionais excelentes, e pela ciência médica, caso precisássemos. Mas mais do que isto, queríamos uma viagem, uma linda e enorme viagem. E tivemos.

Você não se lembrará de nada deste episódio, e este escrito de nada te adiantará, mas com absoluta certeza você trará em seu coração as marcas deste dia, o amor de sua mãe, a beleza da humanidade, as dificuldades da vida, e a importância da sua existência.

É isto meu filho. Que isto te ajude a perceber a maravilha da humanidade, e o incomensurável abismo que há entre nós e os Deuses do Olimpo. Somos fortes e frágeis, e todas as contradições do mundo estão em nós. Espero que você viva intensamente todas as tristezas, felicidades, angústias, vitórias e derrotas que a vida vai te proporcionar, pois é isto que nos faz o que somos, matéria de poesia e sonho, seres humanos.

Eu te amo, seu pai.

Guilherme Shibata de Souza

Curitiba, 21 de fevereiro de 2010″

Tentativas para entendermover um corpo mãe arte dança.

Tentativa I – confessar

Hoje o que aqui apresento não é um trabalho novo. Permitam-me confessar que não sei bem o que é. Quem sabe um grande e caótico encontro do antes agora e depois. Ando meio instável, indefinida, incompleta, porém não menos feliz, forte, esperançosa. Como ser muitas coisas contraditórias ao mesmo tempo? Estar e ser mãe. Ando sentindo na carne o que então era uma busca artística: viver, sem escapatória, a urgência do tempo real, a incerteza, a simultaneidade. Por isso, acho que o que aqui hoje crio é uma experiência como tentativa de entender dança como quem balança, canta e faz ninar.

Tentativa II – posicionar-se

Levei quase 48 horas encontrando posições para que a vida vertesse: “Ó, ali eu via, ninguém duvida, vem vindo vida. Olívia”.

Havia um quarto, poucas luzes, incenso de laranjeira. Havia Cezar (pai autor do versinho acima), a Doula Juracy Ayres, Dra. Mariane Corbetta. Havia um corpo aprendendo a ceder para então deixar nascer. Havia amor. Tempo estendido. Contração. Exaustão. Toque. Havia dor. Uma dor maior do mundo, que só por escolha suportamos sentir.

Por favor, me deixem ocupar o tempo aqui hoje para sem pressa parir o que apresento. Hoje é o corpo artista, mas – porque mãe – é corpo parto, chão, entranha, memória, bicho, pele. Corpo mamífero, fêmea.

Tentativa III – Aceitar

Aqui peço licença para ser um pouco matéria revolta. Mesmo que pareça um pouco, não quero ser rancorosa, panfletária, nem achar culpados, mas coisas acontecem fora que trancam o dentro. É difícil cavar espaço para conseguir viver um parto. Sociedade cada vez mais distante do partejar. Um distanciamento doído que toma forma de uma espécie de indiferença e, pela sua ingênua qualidade alienante, fere e instaura medo. Somos, aos poucos, como mulheres, desalojadas do direito de aprender a liderar o processo de dar à luz.

Depois de 9 cm de dilatação, o corpo não dá conta. Não deu conta de acolher o que interrompe. O corpo para. Paralisa. Incorpora os nãos do mundo.

Olívia nasceu de cesariana. Menina das pupilas grandes. Corujinha. Com toda emoção, tomei-a nos braços. Não chorei. Por uma fração de segundos, fechei os olhos e senti o barulho do trem. Atravessa Attraverso e versa nova canção. Os carros vão continuar passando lá na Avenida.

Tentativa IV – Reconhecer

Ver um filho, todos os dias, observando o mundo com tom inaugural, é o maior presente que um artista pode receber. Olha! Olha! Olha! Apontando o dedinho.

Olha, Dona Olívia, a tua insistente existência revira minha obra corpo arte dança. Olho, para Attraverso e Samambia: prima da Monalisa, meus filhos artísticos, através de você. Que corpo é esse meu que tenta ser o que já não é mais?

Parir um filho é parir a gente mesmo todos os dias (re)conhecendo o que já está lá no mundo por tanto tempo. Parece que refazemos a todo tempo o passado e injetamos um vislumbre incerto de futuro.

Será que a samambaia engravidou? Será que a Monalisa teve filhos? Não sei. Provavelmente.

Tentativa V – Agradecer

Agradeço à Luciana Navarro, Fernanda Baukat e Bruna Ruano pela invenção desse maravilhoso projeto e por eu poder estar nele. À Rosemeri Rocha e Mápi Borsatto, pela colaboração artística. Ao Diego pela parte gráfica. Ao Vinícius e Jessica pela produção das imagens. Ao Fabrício pela assessoria musical. Aos artistas da Entretantas Conexão em dança, Ludy Veloso, Raquel Bombiere, Érica Mithico, Ronie Rodrigues, Jessica Sato e Mápi Borsatto pela parceria e produção. Às mães que, em suas diferenças, fragilidades, delícias e belezas, compartilham com generosidade comigo os seus partejares: Dulci Tridapalli, Margiane Lunardi, Cíntia Kunifas, Luciana Navarro, Mônica Infante, Daniella Nery, Natália Nuñez e Márcia Marcelino. Às tias Dulci, Raquel, Rosilda, Mapi e Rosinha Rocha, pela trilha do dia-a-dia com a nossa pequena. À Candice, por ser sua tia distante, mas presente. Um presente sempre! À doula Juracy e a Dra. Mariane, por me ensinarem a arte de partejar. À Luciana Lima e Thalia e toda equipe Aobá, por esclarecer e encorajar. À Fernanda Baukat, por compartilhar que o partejar é possível. Ao Ronie pelo carinho e pelas palhaçadas dançantes. Aos avós Higino e Tercila, Nilto e Flori por tornarem mais doce essa caminhada. Aos primos Léo, Gi, Luísa e Helena por toda festa, irreverência, encantamento.

Ao Cezar e Olívia, os últimos e primeiros que iniciam e completam a espiral da minha vida.”  

Gladis Tridapalli (artista, pesquisadora e professora em dança)

“Partejar é aceitar o parto como fenômeno poético e performativo. Experienciar esse evento de vida e morte que a mulher vive em seu corpo-carne. 

Dois saberes emergem da minha experiência corpo artista corpo mãe: Um saber sobre a morte e um saber sobre a presença.

Depois de viver um parto normal, sem intervenção cirúrgica e anestesia, percebi algumas das razões pelas quais se tem atuado tanto no sentido de controlar o corpo feminino no momento do parto. É que existe morte em parir. É que existe nudez; existe o sexo explícito no corpo, nos sons, nos movimentos e nas posições corporais necessárias para que o corpo se abra ao ponto do filhote passar e sair do corpo mãe; existe a certeza de que a vida vem cheia de prazer e dor.

Existe uma morte do sujeito filha, do sujeito menina que éramos antes. Existe a morte de tudo o que éramos antes e um novo nascimento existencial com o nascimento do filhote. Uma alteração orgânica, visceral, irreversível! Existe consciência da finitude do ser, conhecida através da dor extrema que lembra o morrer. Mas existe também a consciência da continuidade, da continuidade do próprio corpo, o seu ser um pedaço em outro, o seu ser se expandindo para além de si mesmo, o seu ser um pouco em outro ser, o seu ser ao avesso.

Corpo mãe não volta. Corpo mãe partiu, navega, atravessa, cansa. Corpo mãe tem o corpo do filho nu em seu colo, tem a pele de seu corpo fora em contato com a pele do seu corpo dentro que é o corpo fora de seu filhote. A mãe lambe o filho quando nasce, respira, penetra em seu corpo dentro antes inacessível.

O corpo feminino no parto vive alteração de consciência, alteração da percepção de tempo e espaço. O corpo no parto vira ao avesso. Sangra. Explode. No parto o corpo se faz presente em toda sua potência, precariedade e erotismo (sim, o erotismo de Bataille – morte e sexo juntos).

Atualmente no Brasil uma mulher que quer viver um parto normal encontra diversas possíveis interrupções para concretizar essa forma de nascimento para seu filhote. Conseguir realizar esse evento, diante das atuais circunstâncias, torna-se um ato performativo, eu diria.

O performativo é a presença do corpo! Presença compartilhada com o filhote. Não a presença do artista gênio, do artista centro, do artista glamour. É a presença do artista nudez, do artista finito, do artista crueldade, do artista curador de si mesmo.

Viva a possibilidade de conhecer tudo isso e muito mais, através do partejar o próprio parto, do partejar o próprio filhote, do partejar todos esses partos partidas vivas que compartilhamos com esse projeto PARTEJAR.”

Luciana Navarro Curitiba (10 de novembro de 2011).

Dia de Debate

O Projeto Partejar se encerrará hoje com a realização do debate “Nascimento e Maternidade na Sociedade Contemporânea e seus Desdobramentos Artísticos” (19h) com a presença das convidadas:

Selma Baptista (doutora em antropologia social, professora e pesquisadora do Departamento de Antropologia Social da UFPR)

Luciana Lima (psicóloga, doula e coordenadora do espaço AOBA Bebê – Acompanhando Jovens Pais)

Gladis Tridapalli (artista da dança, coordenadora da Entretantas conexão em dança e professora da FAP)

Haverá também um depoimento em vídeo de Uta Mende (Berlim, Alemanha) a respeito do tema. O debate será mediado por Bruna Ruano, uma das idealizadoras do Projeto Partejar, e se realizará no auditório do Goethe Institut. A entrada é gratuita.

Esperamos todos lá!

A Virada acabou, mas a Corrente Cultural 2011 está só no começo!

Hoje e amanhã (08 e 09/11/11) às 16h acontece o Cine-Partejar.

Será exibido no auditório do Goethe Institut o filme documentário “A Crise Reprodutiva” (Alemanha. Direção: Jörg Adolph e Gereon Wetzel), com duração de 84 minutos, veja o trailer:

 

Haverá legenda em PORTUGUÊS, e a entrada é gratuita!

Sinopse: Uma dramaturga entrevista várias pessoas reais sobre o tema “Vontade de ter filhos”, enquanto uma diretora teatral ensaia com seus atores no Teatro Thalia de Hamburgo, para levar à cena todo esse material. Mas será que esse material será utilizado de forma autêntica? “A crise reprodutiva” traz o trabalho teatral e pessoas comuns num diálogo fictício, confrontando a vida teatral com autênticas histórias de vidas. Um olhar sobre as dificuldades da reprodução – na vida e nos palcos.

Vale a pena conferir!

Dias 05 e 06/11/11 aconteceu a Virada Cultural de Curitiba 2011, e a programação do Partejar foi inaugurada com a realização do Workshop “Mapeamento Corporal com Gestantes” no Goethe Institut, ministrado por Luciana Navarro, que proporcionou às participantes expansão da vivência da gestação através de práticas corporais e roda de conversa que podem ser conferidas pelos registros fotográficos de Lidia Ueta:

     

‘I sing the song of him whose bread i eat’

Autonomia é uma das palavras mais sem sentido nos dias de hoje. Sugerir às pessoas que elas podem ter uma atuação ativa nas diferentes esferas da vida, parece mais e mais uma mensagem à orelhas surdas. Há uma conivência declarada ao poder do mais forte. Uma submissa reverência ao sistema de formatação do ser humano em objeto e mercadoria. Uma entrega deliberada dos bens primordiais, a liberdade e a capacidade de reflexão, herdados com o nascimento neste mundo, à escravidão voluntária do homem-objeto. Os poderes que cada um possui de fazer uma série de coisas por si próprio, são substituídos por mercadorias que devem ser consumidas vorazmente, sem interrogações ou tempo para má-digestão. Na idiotização sempre crescente o homem não pensa mais por si próprio, não se locomove mais com o próprio corpo, não se diverte mais com o próprio espírito, não se cura sem as intervenções médico-farmacêuticas. Ele cumpre um papel alienado e extremamente prágmatico, julgando que não está em suas mãos questioná-lo ou colocá-lo, de alguma maneira, em dúvida.

É um paciente e um consumidor tão logo saia da barriga de sua mãe. Antes mesmo do abraço materno já lhe serão administradas as primeiras doses de consumo obrigatório – vacinas, exames e substâncias – que vão indicando, desde cedo, o tom das relações vigentes entre os seres humanos atuais. Depois disto vem o período mais amplo de formatação nomeado de idade escolar, onde aprende-se, acima de tudo, o valor da autoridade e que se você não entrar no jogo, não terá as recompensas prometidas. Após quase 20 anos de doutrinação anseia-se fervorosamente por uma vaga no mercado de trabalho, que é desejada como se fosse o nirvana – a condição de felicidade plena. Assim, passe-se uma vida inteira.

Dos cuidados dos gestores de tráfego, médicos, terapeutas, professores e toda sorte de especialistas que vão diagnosticar o seu problema e indicar um consumo adequado, desconfia-se no fundo que as coisas poderiam ter sido diferentes, pois mesmo, na melhor das hipóteses, com tudo transcorrendo como manda a cartilha do bom consumidor, permanece uma sensação de desconforto, uma inquietação latente, uma falta de tranquilidade. Sem cultivar a autonomia, a solidão se torna sempre um fardo. Com a ausência de uma vida espiritual, um cuidado de si, o desgosto consigo mesmo se torna habitual. Prefere-se, assim, fugir para longe de si próprio, seja na obediência servil às diferentes formas da autoridade, seja na embriaguez entorpecedora do consumo.

Considerar que tal situação seja absoluta, ou seja impossível de ser transformada, é o que querem nos fazer acreditar todos os gestores e suas macro-estruturas, chamadas instituições. Reverter tal paradigma é a tarefa reflexiva da filosofia, que diz: isto, a transformação do homem num objeto, não é uma lei inflexível da natureza, não é como a atração gravitacional dos corpos ou a termodinâmica. Os homens não nascem escravos, mas são submetidos a escravidão.

 Do primeiro impulso

O ser humano nasce no espanto e naturalmente faz deste sua morada. Em seus primeiros meses de vida o mundo que ele, como sujeito, vai descobrindo, deixa-o perplexo com tantas possibilidade, cores, dimensões, texturas, gostos, aromas, sons e todas as informações que vão se assomando em sua mente-esponja, que vai de tudo absorvendo e de tudo se constituindo.

A injução dos textos indianos afirma que até os 5, 6 anos, o ser humano deve ser criado com liberdade. Dos 7 em diante a disciplina deve estar presente. Na adolescência a liberdade é novamente inserida como força principal. Almeja-se um desabrochar mais harmonioso, forte e saudável deste ser, que tem muito de planta e é, não nos esqueçamos disto, um bicho. Um animal que pensa. Mas um animal. Cresce, sente e vivencia a realidade como qualquer outro animal. O bicho-homem, no entanto, é o mais triste e o mais feliz de todos os bichos.

A liberdade da infância é o paraíso perdido que não volta mais, porque o mundo deixa de ser mágico, não continua sendo uma descoberta, uma aventura. A criança busca o desconhecido. Naturalmente sua mente dirige-se a ele. O adulto, teme-o e cria inúmeras situações para que a ilusão da concretude não seja alterada, se esquecendo da advertência de Heráclito de que panta rei – tudo flui! A criança é naturalmente investigativa.

Os pais e adultos em geral, a sociedade, retiram-na do incômodo questionamento sobre as coisas e oferecem, em troca, a segurança do que já é estabelecido, o conformismo do cotidiano. As vestes mágicas da aurora são rasgadas pelo tempo cronológico. Não é mais um mundo que se inicia. É apenas outro dia. A existência como mistério é objeto de escárnio por parte de todos aqueles que usam relógios ou calendários para definir o tempo vivido. As crianças são levadas a descartar a inquietação lúdica da descoberta pela monotonia repetitiva de um mundo onde tudo já é controlado, registrado, conhecido e, rapidamente, substituído. O conhecimento não é conquistado como parte integrante da vida, mas recebido passivamente de uma maneira completamente alienada, ou seja, sem relação qualquer com os fatos vitais. Não há espaço, tampouco, para a poesia e filosofia neste mundo. Não há espaço para a verdadeira criança, aquela, que como afirmou Wordsworth, ‘é o pai do homem‘.

A condição inicial de toda reflexão filosófica é a capacidade de se espantar com a realidade e não tomar a existência como algo dado, mas fazer a pergunta assombrosa – por que isto existe?

Nos primeiros anos de vida a mente-esponja comanda os movimentos do corpo e do intelecto. Se o substrato que oferecemos às crianças é pobre em referências positivas de liberdade e criatividade, não será de se espantar que as gerações seguintes não sejam ousadas e promovam mudanças significativas nas forças sociais. A ousadia, no entanto, é própria da infância.

A filosofia pretende retornar às primeiras impressões das coisas. O primeiro sentido, o contato original, prévio a toda confusão mnemônica e de associações de idéias. A filosofia enquanto forma de pensamento é essencialmente radical – busca a raiz de toda percepção. Livre de toda moral e todo imperativo, incluindo aqui toda forma de dever assumida no curso de uma vida – o dever de mãe, pai, aluno, cidadão, ser humano – o pensamento autônomo cresce em ambientes de liberdade, sem a tirania de formas padronizadas de toda sensibilidade domesticada.”

Goura Nataraj (Jorge Brand)

“A Corrente Cultural nasceu do diálogo iniciado em 2008 por um grupo de agentes culturais de instituições públicas e privadas com o objetivo, entre outros, de valorizar e promover a Diversidade Cultural – uma das bases para uma Cultura de Paz, segundo a Organização das Nações Unidas (Resolução ONU 53/243 – 13/09/1999).

A Corrente chega em 2011 à sua 3ª edição. Neste ano a campanha tem início com a Virada Cultural no dia 5 de novembro, Dia Nacional da Cultura (Lei 5.579/1970) e se estende até o dia 12. Sua extensa programação é, portanto, um convite à comemoração do Dia Nacional da Cultura e a celebração da Cultura da Paz. São mais de 80 espaços participantes e centenas de atrações, entre espetáculos, exposições, debates, mostras, instalações, shows, desfiles, recitais, performances e outras atividades, em sua maioria, franqueadas ao público.

Além da participação dos espaços parceiros, atividades culturais são selecionadas por meio do Fundo Municipal da Cultura e recebem o patrocínio da Prefeitura Municipal de Curitiba, que permite a abertura das portas de espaços independentes gratuitamente.

Escolha a sua programação e aproveite!”

Fonte.

Seguem duas reportagens sobre uma pesquisa realizada por entidades médicas acerca do parto cesariano e das motivações que levam 90% das parturientes usuárias de planos de saúde a optar por esse tipo de parto. Ambas foram publicadas no jornal Gazeta do Povo e trazem boas reflexões a respeito de comportamento, informação e políticas sociais:

“Nove em cada dez partos feitos por planos de saúde são cesáreas

Publicado em 15/10/2011 | POLLIANNA MILAN

Brasil ainda não sabe como reduzir o número de cesáreas. Tentativas feitas até agora foram em vão. Número de partos feitos desse modo só cresce no país

As mulheres com plano de saúde ajudam a elevar o índice de cesáreas no Brasil. O país tem uma das maiores taxas de parto cesariano do mundo, com atualmente 45%. Enquanto no Sistema Único de Saúde (SUS) 40% dos nascimentos são via cesáreas, na saúde suplementar este índice mais do que dobra, chegando a 90%.

Desde 2005, quando se descobriu que as mulheres com plano de saúde em quase sua totalidade faziam cesarianas, o governo federal e as entidades médicas se uniram para pressionar as operadoras a reduzir as taxas. Passados seis anos, pouca coisa mudou e, o pior, o Brasil até agora não sabe ao certo em qual frente deve trabalhar para reverter a situação, já que os fatores de escolha pelo parto cesáreo são múltiplos.

A ideia de que parto era algo para ser feito nos hospitais foi copiada dos Estados Unidos, mas lá as taxas de cesarianas chegam a 27%, bem inferiores ao Brasil. A Organização Mundial da Saúde (OMS) sugere uma taxa de parto cesáreo de 25% para cada país. Com o intuito de acabar com as altas taxas, o Conselho Federal de Medicina (CFM), a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febras go), a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) e outras entidades médicas fizeram uma pesquisa com 3 mil médicos para tentar mapear as motivações pela escolha da cesariana e, assim, combatê-las. A pesquisa só será divulgada em novembro, mas, em entrevista, as entidades já adiantam alguns fatores observados.

Motivos

A questão mais óbvia desta diferença é que as atendidas pelos planos de saúde podem escolher livremente o parto que querem ter, e elas preferem o cesáreo por diversos fatores: pela comodidade, pela falsa ideia de que dói menos (na verdade, a recuperação da cesariana é bem mais dolorida), por medo de o parto normal machucar o bebê (se for feito corretamente, é inverídico) e, atualmente, pela violência urbana e a possibilidade de não haver vagas nas maternidades.

“Nas grandes cidades, mulheres e médicos têm preferido marcar a cesárea para evitar a surpresa de um parto normal na madrugada, colocando em risco o médico, a parturiente e o bebê, pois podem ser assaltados no trajeto até a maternidade”, ex plica a médica Lucila Nagata, membro da comissão de mortalidade materna da Federação Brasileira das Associa ções de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo). Além disso, o agendamento acaba sendo a garantia de que a mulher vai ter o filho no lugar escolhido previamente.

Indução

A grande reclamação das mu lheres, porém, é de que os médicos induzem ao parto cesáreo. Elas dizem que os médicos fazem isso devido à cesariana ser mais cômoda para eles, afinal, este parto dura cerca de duas horas enquanto um parto normal pode durar 12 horas.
“Sempre quis ter normal, cheguei a entrar em trabalho de parto e o médico, no hospital, me disse que eu não tinha dilatação. Ele me pegou em um momento de fragilidade e afirmou que teria de ser cesárea pelo bem do bebê. Acabei cedendo, mas foi frustrante”, afirma a farmacêutica Halline Queiroz, que tem duas meninas, a Julia e a Laura.
A Julia nasceu de cesariana e a Laura de parto normal. “Na segunda vez, mudei de médico e ele me provou que o parto normal era possível. Ele derrubou o mito de que mulher que tem o primeiro filho de cesárea vai ter de fazer cesariana sempre”, conta.

Prematuridade aumenta e bebês vão para UTIs

O problema da escolha pela cesariana é cultural, segundo a gerente-geral de regulação assistencial da Agência Nacional de Saúde Suplementar, Marta Oliveira. Para ela, não basta pressionar os planos de saúde para reduzir as taxas, “a mulher precisa aceitar o parto normal.”
Marta chama a atenção para o fato de as cesarianas serem literalmente agendadas, ou seja, a mulher nem chega a entrar em trabalho de parto e o bebê, por isso, acaba nascendo imaturo (com o pulmão ainda com líquido). “Se tivéssemos 90% de partos cesáreos e estivesse tudo bem, sem problemas. A questão é que temos a prematuridade aumentando e muitos bebês ficando em UTIs. Este tipo de consequência nos preocupa”, diz.

Mitos

Conheça algumas crenças sobre o parto normal que não são comprovadas pela Medicina:

Há muita perda de sangue: Na realidade, na cesariana se perde muito mais sangue.

A dor é muito forte: Na hora da cirurgia da cesárea a mulher não sente dor devido à anestesia, mas a recuperação é bem mais complicada e dolorida.

O bebê se machuca: Pelo contrário: a passagem pelo canal vaginal ajuda a criança a expelir os últimos líquidos, inclusive do pulmão, e isso evita a síndrome de angústia respiratória.

A relação é pior: Na cesárea, muitas vezes, o bebê vai para a incubadora. Segundo médicos, isso é extremamente prejudicial na relação da mãe com o filho. No parto normal o bebê é colocado imediatamente no peito da mãe para criar o vínculo maternal.

Reduz a libido: Ao contrário do que se acredita, o parto normal não diminui a libido.

Levantamento

Dinheiro gasto com cesarianas poderia ir para outras áreas

O Ministério da Saúde tem pesquisas que mostram o quanto de dinheiro foi usado desnecessariamente com cesarianas, mas os dados são internos e não podem ser divulgados à imprensa. A economista Tabi Thuler Santos, do Centro de Desenvolvimento e Planejamento Regional de Minas Gerais, defendeu recentemente uma dissertação onde trabalhou o tema Evidências de indução de demanda por parto cesáreo no Brasil e chegou à conclusão de que “há dinheiro gasto com cesáreas que poderia ser usado para investimento em outras áreas”. O custo de um parto normal pelo Sistema Único de Saúde é de R$ 291 e a cesariana custa cerca de R$ 402. O valor, no privado, pode variar conforme a operadora do plano.

“A cesariana é um procedimento cirúrgico que às vezes demanda UTI e antibióticos: é um problema de saúde e econômico”, diz. Tabi revisou a literatura e chegou a dois dados interessantes: o primeiro é a crença (errada) de que a mulher que tem o primeiro parto de cesariana precisa fazer os outros do mesmo modo. “Um estudo de São Paulo de 2002 revelou que 95% das mulheres com mais de um parto fizeram cesariana no segundo ou nos outros porque já haviam passado uma vez pela cirurgia”, diz. Outro dado, de 2009 (Rio de Janeiro), é de que apenas 37% das cesáreas no período foram uma escolha exclusiva da mulher, ou seja, a interferência do médico é grande.” Fonte

“Novos médicos não sabem lidar com parto normal

Publicado em 15/10/2011 | POLLIANNA MILAN

Entre os 3 mil médicos entrevistados na pesquisa conduzida pelo CFM, Febrasgo e ANS há algo em comum: os formados recentemente, em sua maioria, não acham um problema a quantidade de cesarianas feitas no Brasil, apesar de o índice estar bem acima do aceitável. A médica Lucila Nagata, da Febrasgo, chama a atenção para um ponto pouco discutido: as universidades de hoje formam excelentes cirurgiões, mas não ensinam aos obstetras como acompanhar um parto normal. “Os colegas têm hoje maior ênfase no saber operar e, muitos, quando se deparam com um parto normal, não sabem como proceder”, explica.

Para Lucila, outro problema é a quantidade de processos judiciais (normalmente éticos) que surgem contra os médicos que tentam fazer parto normal e acabam indicando a cesariana em um tempo não hábil para salvar a mãe ou o bebê ou para evitar algum problema no parto. “Muitos preferem a cesariana para não correr este risco.”

Dinheiro

A remuneração dos médicos no Brasil, pelos planos de saúde, também é diferente quando o parto é normal ou cesariana. Antiga mente se pagava mais pela cesariana, hoje grande parte dos planos de saúde paga o mesmo valor e alguns já inverteram a lógica: pagam mais pelos partos normais como incentivo. Recen temente a Gazeta do Povo publicou que os médicos que fazem cesarianas chegam a cobrar um valor extra (por fora) da parturiente para ela ter a garantia da presença dele na hora do parto cesáreo (alguns planos de saúde aceitaram esta atitude). Há ainda outra questão: por mais que os médicos recebam mais pelo parto normal, este costuma demorar muito mais que a cesariana, ou seja, o valor/hora do parto normal não compensa. “Uma das sugestões é que os planos de saúde montem equipes qualificadas para o acompanhamento do trabalho de parto (assim como existem as equipes de plantão nos hospitais públicos). Assim, esta equipe atenderia a mulher e, o obstetra, só seria acionado quando estivesse muito próximo de o bebê nascer. Poderia ser uma alternativa. Estamos buscando soluções”, diz o coordenador da Comissão de Parto Normal do Conselho Federal de Medicina, José Fernando Maia Vinagre.

A médica Daphne Rattner, professora da Universidade de Brasília, sugere algo a mais: que o parto seja feito por enfermeiras obstetrizes e o médico só seja chamado caso necessário. “Em muitos países onde as taxas de cesarianas são baixas, este é o modelo que funciona”, cita Daphne.” Fonte